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A guerra invencível
O editorial do New York Times de 18 de março, cujo título é “O exército, depois do Iraque”, traz de forma explícita algumas críticas com relação à atual política externa norte-americana. Fazia já algum tempo que não via um ponto de vista explicitado daquela forma, pois, ao que parece, a opinião expressa nos jornais segue o mesmo parâmetro de asseio em shopping center: tudo muito clean, tudo para agradar o consumidor.
“Não é preciso olhar tão cuidadosamente para os dias de hoje para ver o grande estrago que o governo Bush e a má administração do conflito no Iraque fizeram nas Forças Armadas dos Estados Unidos”, abre o editorial (tradução livre).
O plano do presidente Bush — enviar cerca de sete mil soldados por ano e, gradativamente, compor um exército de 547 mil homens até 2012 — é duramente criticado pelo jornal. “Retirar do Iraque as Forças norte-americanas e sair com a credibilidade e os interesses regionais intactos é agora, naturalmente, a prioridade mais imediata da nação”.
Não sei ao certo o que o editorialista quis dizer com “credibilidade e interesses regionais intactos”, mas esse é sem dúvida um ponto nevrálgico e discutível.
“Os EUA nunca tiveram tropas suficientes no Iraque. Em Kosovo, eram 40 mil soldados para uma população de dois milhões. Seguindo a proporção, o número de soldados no Iraque deveria ser de, no mínimo, 500 mil [número que só seria atingido em 2012, de acordo projeção mencionada no segundo parágrafo]. O acréscimo de 20 mil neste momento parece muito pouco, e tarde demais.”, diz Wesley K. Clark, general da reserva dos EUA e ex-comandante da OTAN, em artigo publicado n’O Estado de São Paulo em 10 de janeiro.
Fazendo um contrabalanço entre a opinião de Wesley Clark e a do New York Times, é possível inferir três possibilidades quanto ao futuro do conflito no Iraque: a retirada imediata das tropas, como preconiza o jornal, parte da sociedade e da opinião pública; o aumento do contingente, como propôs Bush em seu novo plano, ou, ainda, a saída diplomática, defendida pelo general da reserva.
“A verdade é que os problemas subjacentes são políticos, não militares. Talvez um novo embaixador americano pudesse ajudar, mas Washington precisa reconhecer primeiro que sua visão neoconservadora fracassou.” Não à toa, o título do artigo do Sr. Clark é bastante claro quanto às suas opiniões: “Os EUA precisam recorrer à diplomacia”.
Se alguma dessas três possibilidades manterá a credibilidade e os interesses regionais norte-americanos intactos, não sei. Mas concordo com o editorial do NYT ao dizer que “algumas lições severas deverão ser absorvidas dessa desnecessária, fracassada e agora invencível guerra”. Só trocaria o “invencível” por “inganhável”. Parece mais apropriado.
Escrito por Linguanoto às 18h09
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